
Acerca de
Sobre este site:
O Músicas & Palavras original nasceu em agosto de 2010 quando comecei a gravar sets para mim mesmo e escrever e publicar no Blogger sobre as músicas e artistas que eu gostava (Lazy Music for Lazy Days) e após meses procurando lugares e espaços para reunir pessoas, tocar e conversar sobre música criei um projeto que depois se chamaria Sounds in da City (Música Livre ao Ar Livre) no kioske em frente ao trapiche da Avenida Beira Mar Norte em Florianópolis, uma tentativa de mostrar vários estilos musicais fora dos clubes e boates e sem depender da House Music e do Techno então onipresentes nas festas no Brasil.
Foram dois anos trabalhando duro para desenvolver, manter, movimentar e consolidar o projeto que mudou a história da cultura musical de Florianópolis, e por causa deste trabalho no verão de 2013 fui convidado pelo Renee Mussi para criar as primeiras listas de pessoas na ampliação da pista Terraza em Jurerê (do antigo after da Pacha para o espaço onde ela ocupa até hoje) e aí surgiu o hoje lendário grupo Lista do Montag, com mais de 400 nomes de pessoas que frequentaram, se divertiram e se tornaram fiéis divulgadoras da pista de dança que hoje é referência nacional e mundial no mundo da música eletrônica.
Nesse tempo ainda continuei circulando por mais dois anos sozinho pela cidade com um pequeno mas eficiente sound system e subwoofer caseiro da Edifier (feitos de madeira!) e apelidei de Mosaico Soundsystem em homenagem aos dois VA Mosaic da gravadora Exit Records, batendo de porta em porta e tocando em botecos, bares e restaurantes, entregando músicas para pessoas que não saíram de casa ver nenhum DJ.
Elas saíam para comer, beber, conversar, rir e beijar, a minha função era apenas garantir uma trilha sonora.
Foi assim no centro, Trindade, Córrego Grande, Itacorubi, Santa Mônica, na Lagoa da Conceição, Campeche, Coqueiros, Estreito e até no mezanino do Restaurante Mirantes no antigo Aeroporto Hercílio Luz.
Vi pezinhos inconscientes acompanhando o ritmo embaixo das cadeiras, cabeças balançando mesmo de costas para mim, olhares tentando me encontrar, sorrisos de agradecimento e incontáveis joinhas. Pessoas vindo perguntar o nome da música ou qual estilo musical eu estava tocando e até mesas e cadeiras sendo colocadas de lado e pessoas, pasmem, levantando e dançando.
Aí eu reafirmei para mim: nada pode ser melhor que tocar em um espaço diferente de uma pista de dança e fisgar a atenção e disposição de quem não está lá por sua causa.
Um dia um garçom perguntou onde eu tocava como DJ e eu respondi que só gostava de colar músicas de diferentes gêneros e estilos por hobby (como um mosaico, certo?) e que meus lugares preferidos eram bares e restaurantes, como um delivery musical.
E então ele me respondeu: faz sentido, porque a música é o alimento da alma.
E eu nunca mais esqueci essa frase.
Mas depois do fim da Fullhouse em 2012 o centro ficou três anos sem noites de música eletrônica, então em 2015 eu fui no saudoso Treze na Rua Padre Roma, conheci o Zé, Bigode e Iran e disse que gostaria de fazer uma festa ali e aí começamos a Bend Party (Downtown Mood and Electronic Groove) e lá dentro foram outros três anos muito divertidos no melhor clube e com a festa mais agregadora de todas, a única onde todos os DJs, núcleos, produtores e promotores da época tocaram, se encontraram e frequentaram.
Na Bend nasceram outros DJs, outras parcerias e festas e casais e todo mundo sente saudades (até quem nunca foi) e ainda originou em 2018 a Bend Music, o maior dos menores núcleos (ou o menor dos maiores?), que durou menos de um ano e apenas 14 noites de Hip Hop (BOMB), Música Psicodélica (ODISSEIA), Funk - House - Disco (BEAM ME UP), Techno (MAZE), Downtempo (ROOM) e a UNIVERSE (então a primeira e única festa da história da cidade 100% dedicada ao universo do Drum and Bass) nos saudosos Bar do Jonas, Taliesyn Rock Bar, Blues Velvet e Malam Club.
Todas com absolutamente um único propósito: fazer algo diferente com a música em primeiro lugar.
Poucas vezes Florianópolis teve tanta diversidade musical com tantos estilos, amigos e propostas diferentes, em tantas festas e lugares diferentes, em tão pouco tempo e com apenas 100 pessoas de público médio, mas todas absolutamente felizes.
Em dez anos, entre 2010 e 2020 (e mesmo sem ser DJ, nem produtor ou promotor profissional), eu toquei em todas as casas e clubes pequenos do período na cidade e criei, participei, incentivei, ajudei, divulguei, me envolvi diretamente e fui presença constante em praticamente todos os eventos e principais projetos de música eletrônica locais, começando pelo Sounds in da City e passando pela Terraza, Bend, Bend Music e festas como Troop, Trip to Deep, o coletivo Deafcity Collab, e muitos outros.
Em 2020 decidi resgatar ideias antigas e dar vazão para as centenas de ensaios que comecei a escrever para mim ainda em 2009 e desde então eu apenas escrevo (compulsivamente) preguiçosamente (A Música é o Alimento da Alma) e gravo sets (Delivery Musical) pois eu não sou escritor mas estou escrevendo; não sou jornalista mas converso com as pessoas sobre música; e não sou DJ mas gravo sets em casa para você ouvir na sua.
Ah, em 2022 fizemos dois encontros (Músicas & Palavras & Cachorros) e conseguimos adotar uns doguinhos, arrecadar algumas centenas de quilos de ração e unir protetores caninos com o pessoal do Janelinha e Ateliê 389.
E agora, adivinha, não sou videomaker, mas estou fazendo alguns vídeos também (Stolen Videos and Borrowed Songs).
No começo de 2024 eu mandei um e-mail para um canal do YouTube pedindo liberação de uso de um vídeo e o responsável me respondeu dizendo que eu não poderia fazer vídeos apenas roubando outros vídeos e emprestando músicas de outras pessoas e eu respondi que sim, posso, e agradeci pela ideia.
Como ninguém pede para roubar e emprestar não é crime aproveitei e roubei também algumas ideias da A24 e emprestei os logos da Blockbuster e da Netlfix e desde então estou me divertindo fazendo alguns visuais somando vídeos roubados e músicas emprestadas de quem eu quiser e quando eu bem entender.
No embalo também estou descobrindo e forçando coincidências incríveis e sincronias improváveis, brincando com memórias afetivas dos tempos das videolocadoras, lidando com a hiperatividade mental de sinapses e sinestesias ativadas o tempo todo entre som e imagem e também escrevendo falsas sinopses e verdadeiras declarações de amor.
Os resultados são trilhas sonoras não oficiais para trechos e cenas de filmes e vídeos que eu gosto e vídeos menos oficiais ainda para as músicas que eu amo.
E mais uma enxurrada de referências, pegadinhas, mensagens secretas, uma corrente digital em andamento e vinhetas vinhetas, muitas vinhetas, centenas de vinhetas.
Músicas & Palavras agora também é Músicas & Palavras & Vídeos.
Gosto de brincar com as palavras e as possibilidades da prosa, me guiando pelo fluxo de consciência e da liberdade de fazer tudo apenas para mim, me reconectando com a música aos poucos e torcendo para que eventualmente algumas pessoas se identifiquem com as minhas ideias pois para fazer algo significativo a única regra é não abandonar o propósito, o tempo sempre é a resposta e eu faço um pouco e muito de cada, e você encontra tudo por aqui.
As fotos dos ensaios foram cedidas pelos incríveis fotógrafos Ayrton Cruz, Lucas Miró Horn e Robson Ramon e nas músicas postadas no Instagram eu usei as imagens das pinturas do sensacional ilustrador Grant Haffner.
