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ENSAIO 36: PEPSINA

Atualizado: 5 de fev.



Se você está aqui pela primeira vez este ensaio faz parte de um livro sendo escrito em tempo real seguindo a narrativa do fluxo de consciência, se te interessar acompanhar o processo comece pelo primeiro.



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26/07/2023


PEPSINA


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Pode ser Pepsi? Sim.

Pode ser vodca? Claro.

Pode ser uma frota militar? Óbvio.


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A Pepsi foi criada em 1893 com o nome de "Brad's Drink" pelo farmacêutico norte-americano Caleb Bradham, e a bebida era vendida em sua farmácia na cidade de New Bern, no estado da Carolina do Norte.


Cinco anos depois foi renomeada Pepsi-Cola e propagandeada capaz de aliviar a dispepsia (a clássica má digestão) ao sabor de cola, tal qual a sua concorrente criada em 1886.


Por muito anos o nome Pepsi foi propagado como uma referência da pepsina supostamente incluída na fórmula da bebida mas, um século antes de enganar adolescentes curitibanos com um sabor limão que não era sabor limão, a própria pepsina nunca foi usada como ingrediente da Pepsi-Cola, uma enzima digestiva produzida naturalmente pelas paredes do estômago, secretada pelo suco gástrico e cuja função é desdobrar as proteínas em peptídeos mais simples sendo reagente em meio ácido, motivo pelo qual nós também produzimos ácido clorídrico e assim todo bifão tem seu destino correto.


Mas a verdade é que, com ou sem pepsina, ninguém quer digerir um rato.



Em 2009 um cara chamado Ronald Ball processou a Pepsi alegando ter encontrado um rato morto dentro de uma garrafa da linha Mountain Dew de um lote do ano anterior.


O que a Pepsi fez? Foi lá e provou com um experimento filmado em tempo real um rato (outro rato) se dissolvendo em apenas 30 dias dentro do refrigerante, extinguindo assim o objetivo original do processo e provando também que a Pepsi tem mais Balls que o Ronald Ball mas porra, faltou uma assessoria de imprensa nessa hein.


O mesmo Mountain Dew é banido em mais de cem países por incluir em sua fórmula um componente conhecido por ser retardador de chamas em tapetes então você já sabe, você pode até sentir uma queimação no estômago após comer um rato (afinal ele vai ser dissolvido), mas pegar fogo você não vai.


Faltou não só assessoria de imprensa mas também uma agência de publicidade mais criativa.


Obviamente a internet fez vídeo sobre o tema na época mostrando um rato (outro rato ainda) sendo dissolvido e você pode procurar por conta própria e já te dou um aviso de gatilho: é nojento mesmo.


Aliás eu mesmo já tomei este Mountain Dew e é simplesmente horrível, pela minha impressão deve ter detergente, rato e espuma de extintor de incêndio na fórmula em todos.


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Por falar em roedores, o jogo de gato e rato chamado Guerra Fria também foi a Guerra das Colas, com gelo e limão, quando as duas maiores empresas de refrigerantes da história disputaram por décadas e quando a Coca-Cola, por pura ideologia, se recusou a participar de um showroom na antiga URSS e a Pepsi foi lá e fez o maior negócio da China (ops) da história da empresa.


Em julho de 1959, sessenta anos antes de Ronald Ball tomar uma invertida da Pepsi e dois anos antes do Richard Nixon dar uma invertida no planeta inteiro, os Estados Unidos da América chegaram chegando na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas para mostrar as belezas do capitalismo na American National Exhibition, uma feira com ares de diplomacia de vizinhos apresentando moda ocidental, carros, casas futurísticas e arte, promovendo um encontro pessoal entre o então na época vice presi... digo, ator Richard Nixon e o primeiro secretário geral do partido comunista, o soviético com zero talento para a atuação Nikita Kruxev (o certo é Khrushchev, mas a guerra fria acabou faz tempo e eu não sou obrigado), episódio conhecido hoje como o "Debate da Cozinha".


Em um daqueles momentos surreais da história onde uma casa americana em solo soviético fez o papel involuntário de uma embaixada e a camaradagem não soube dizer quem estava dentro da casa de quem ou quem havia sido convidado por quem, a conversa descambou rapidinho para algo mais próximo de uma discussão entre dois bêbados de boteco através de intérpretes.


Nixon tenta forçar a diplomacia na casa modelo como se fosse um corretor imobiliário em início de carreira mas como corretor e diplomata Nixon era um ótimo advogado, e como advogado se mostrou o mais desastrado dos diplomatas e o mais desesperado dos corretores iniciantes tentando impressionar o russo na cozinha começando pela... máquina de lavar louças.


E claro, como era de se esperar, Nikita Kruxev se mostrou o pior cliente possível para um corretor imobiliário e um diplomata mais desastrado ainda, mostrando zero interesse em agradar ou ser convencido das maravilhas do ocidente ou do estilo de vida norte-americano.



Você pode ler todo o pequeno desastre no PDF do site da própria CIA, onde fosso ideológico e o distanciamento cultural entre ambos fica claro quando Nixon tenta sacar a carta liberdade de ideias e Kruxev encerra a jogada em um turn down for what piadinha de tiozão:


Nixon:


- Você não deve ter medo de ideias.


Kruxev:


- Estamos dizendo que é você quem não deve ter medo das ideias. Nós não temos medo de nada.


Nixon:


- Bem, então, vamos trocar mais ideias. Todos nós concordamos com isso, certo?


Kruxev:


- Ótimo.


Kruxev [se vira para o tradutor e pergunta]:


- Agora, com o que eu concordei?


Nixon: [interrompe]:


- Agora, vamos dar uma olhada em nossas fotos.


Kruxev:


- Sim, concordo. Mas primeiro quero esclarecer no que estou concordando. Eu tenho esse direito certo? Eu sei que estou lidando com um advogado muito bom. Portanto, eu quero ser inabalável aqui no meu círculo então os meus dirão: "Ele é dos nossos e ele não cede!"


Nixon:


- Não há dúvida sobre isso.


Kruxev:


- Você é um advogado do capitalismo, eu sou um advogado do comunismo. Vamos nos beijar.



Teria sido tudo muito mais fácil e menos constrangedor se cada um carregasse o seu próprio pandeiro ou microfone e o encontro fosse uma disputa ritmada estilo repente nordestino ou freestyle de Hip Hop paulista.


Sendo "verão" em Moscou o debate foi - digamos - acalorado, deixando o pessoal ficou com sede dando a deixa para o empresário Donald M. Kendall servir uma Pepsi geladinha para a galera e enquanto Kruxev provou o refrigerante pela primeira vez na vida o olhar de Nixon visivelmente expressava um homem afundado em pensamentos rápidos.



O refrigerante do vizinho parece sempre mais gelado e talvez ele estivesse apenas cobiçando um gole, provavelmente pensando que se houvesse um canudo ele mesmo apertaria ou pior, talvez ele estivesse com medo de que a CIA tivesse batizado o lance e se perguntando como sairia correndo dali.


Kendall na época era vice presidente de marketing da Pepsi, um período onde o algoritmo mais eficiente era um aperto de mãos, e é desnecessário comentar que este foi o momento mais Mad Men de toda a sua carreira, criando um projeto de expansão da marca até 1971 quando se tornou CEO da empresa e no ano seguinte conseguiu o monopólio de produção, distribuição e venda do refrigerante na URSS até 1985.


O melhor do pior, ou o pior do melhor, do capitalismo é justamente a capacidade de transformar tudo em propaganda e política antes de tudo é propaganda (e propaganda é pouco além da imagem), fazendo a fotografia do gole de Kruxev até hoje ser uma das mais poderosas fotos jamais registradas.


A Pepsi não estava envenenada e Nixon se tornou presidente 10 anos depois testemunhando e protagonizando o discurso da chegada do homem à lua, o tapa do Choque Nixon, visitando a China antes de todos, vivendo o fim da Guerra do Vietnam, acabando com o alistamento militar obrigatório e tomando um chute no saco da Arábia Saudita. Foi reeleito, denunciado por assédio, espionagem e sabotagem e renunciando em 1974, sendo marcado como o presidente mais cheio de superlativos e publicamente polarizados da história dos Estados Unidos.


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Não sei dizer se foi bem isso que Kruxev ouviu de Donald M. Kendall mas este é o momento mais "Pode ser Pepsi?" de todos os tempos possível, pois pelo menos uma vez na história da humanidade desde a era paleolítica que a Pepsi foi a primeira opção, ou deixando bem claro, a única.


O maior marketing da Coca-Cola sempre foi ser sinônimo do império capitalista norte-americano e ter como maior propaganda durante décadas o próprio exército do país, cabendo a Pepsi assumir o papel de deixa disso vamos ser amigos e assim conquistar o país onde o comunismo surgiu.


E foi por muitos anos e com tanta voracidade bem aceita que a URSS, cuja moeda Rublo não era negociada na balança comercial internacional, esgotou as suas reservas em dólar para garantir a produção e consumo da Pepsi no seu território.


Com o esgotamento destas reservas e a demanda ainda crescente pelo refrigerante só restou a criatividade e o escambo e os russos então decidiram oferecer trocar milhões de litros de Pepsi por milhões de litros de vodca russa e a Pepsi claro porque não quem recusaria uma boa vodca russa e assim a marca de refrigerante passou também a vender a vodca Stolichnaya nos Estados Unidos até 1989, quando a crise se estendeu em todo o bloco soviético afetando a produção de bens e serviços e obviamente, da vodca local.


Quase um século depois da Cuba Libre misturando Run e Coca-Cola a Pepsi também teve o seu momento cachaça + refri e, mesmo não existindo nenhum drink com a vodca russa e o refrigerante batizado provavelmente (com certeza) muitos adolescentes devem ter feito e se tiver algum relato por aí, as histórias não devem ser das melhores.


Mas mesmo após 1989 a ainda existente União Soviética bebia muita Pepsi então só restou novamente a criatividade e mais escambo e os russos decidiram oferecer trocar milhões de litros de Pepsi por frotas militares da Guerra Fria aposentadas e a Pepsi claro porque não quem recusaria um bom submarino a diesel velho e mais uns barcos da hora e assim a marca de refrigerante acordou na segunda-feira sendo o sexto maior exército e a terceira maior marinha da época com uma frota bilionária de 17 submarinos, uma fragata, um contratorpedeiro e um cruzador e dois petroleiros por alguns dias, quando então (não se sabe bem e ninguém confirma) parte foi vendida como sucata para a Suécia, parte foi para o ministério da defesa norte-americano e parte comprada pela Noruega e pela federação russa em negociações supostamente mantidas em segredo.


Pode ser Pepsi? Sim.

Pode ser vodca? Claro.

Pode ser uma frota militar? Óbvio.


De uma empresa quase na beira da falência em 1959 para a terceira maior marinha trinta anos depois e passando por revendedora de vodca na década de 70, se em algum momento na história podia ser Pepsi este momento foi a Guerra Fria, e assim se fecha o ciclo de uma das vitórias mais estranhas do capitalismo ocidental e ao mesmo tempo do comunismo soviético.


Como quase previsto por Kruxev ninguém brigou e muitos beijos rolaram.


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Na Guerra das Colas a Pepsi foi e ainda é a vencedora em vários pequenos grandes momentos não apenas por conquistar o enorme mercado em todo o território que um dia já foi a URSS (e por carregar o feito insubstituível de ter sido o primeiro produto de consumo ocidental a ser vendido na União Soviética no auge do comunismo) mas também por ter investido no mercado afro-americano na década de 40 em plena era da segregação racial (enquanto a Coca-Cola não só apoiava o apartheid social como também não contratava negros na empresa) e por conseguir na década de 80 fazer a própria Coca-Cola mudar a sua fórmula para ficar mais parecida com a Pepsi, após descobrir em testes cegos que o público norte-americano gostava mais do gosto da concorrente.


E então fracassar e voltar à fórmula original porque Coca-Cola não, não pode ser Pepsi.


Como nem tudo pode ser sempre sucesso, o refrigerante número dois tocou fogo nos cabelos do Michael Jackson (hee hee) em 1984 e não entregou o avião prometido para o John Leonard mas se manteve campeã na diplomacia em agradar públicos de outros países, principalmente o Japão, em uma lista inacreditável que só colando alguns exemplos abaixo para você entender:


- Pepsi Ice Cream (Rússia) (sim sabor sorvete, como se sorvete fosse um sabor por si só)

- Pepsi Cappuccino (Rússia e Romênia) (bom, eu provaria)

- Pepsi Salty Watermelon (Japão) (melancia salgada? eu provaria essa também)

- Pepsi Pink (Japão) (sabor morango e iogurte, tomaria um gole e com certeza cuspiria)

- Pepsi Azuki (Japão) (sim, Pepsi sabor feijão azuki, o capitalismo não tem limites)

- Pepsi Ice Cucumber (Japão) (Pepsi sabor pepino gelado, tomaria se no Brasil se chamasse Pepsino, que lembra pepsina, que nunca fez parte da fórmula da Pepsi)

- Pepsi Mont Blanc (Japão) (a sobremesa é da França e virou refrigerante sabor castanha no Japão)

- Pepsi Jazz (Estados Unidos) (três sabores: caramelo, morango com creme e cereja com baunilha francesa, tomaria só pra sentir o compasso do estômago perder o tempo)

- Pepsi Baobab (Japão) (sabor baobá, da árvore mãe do candomblé africano, vendida no Japão, que não sabe sequer sambar)

- Pepsi Shiso (Japão) (o manjericão japonês, virou refrigerante)


E menção honrosa para a Pepsi Special, um refrigerante oferecido também no Japão com dextrina e cuja presença na bebida, segundo o fabricante, suprime a absorção de gordura.


O governo japonês afirmou também afirmou que a bebida pode beneficiar quem deseja combater problemas de pressão arterial ou colesterol alto e, se não é capaz de dissolver um rato como o Mountain Dew, a dextrina pode torturar o coitado do roedor de várias formas pois também é utilizada em adesivos e fogos de artifício e ainda como emulsificante na fabricação de pólvora negra, agentes espessantes e substitutos de gomas naturais.


Eu só me pergunto duas coisas após ler esta lista: qual o problema dos japoneses em tomar apenas Pepsi e qual o tamanho do estrago que a empresa faria se resolvesse conquistar, por exemplo, o paladar italiano com os sabores Carbonara, Peperoni, Lasanha, Bolonhesa, Tiramisu e claro, as mais pedidas: Cacio & Pepsi e a Pesto-Cola.


Além da Mountain Dew a Pepsi também é dona das marcas e produtos tais quais a extinta Mirinda (que saudades!), a marca de salgadinhos Elma Chips, Doritos e a Batata Lays e como se fosse pouco, Quaker, KFC e Pizza Hut.


E mais ainda, Toddy, e se houver um dia uma Guerra dos Achocolatados eu resolveria facilmente em apenas um tratado, pois sempre digo: Nescau gelado, Toddy quente, e assunto encerrado,


Se existe uma única empresa capaz de variar o seu cardápio e ao mesmo tempo destruir a sua dieta e te dar gastrite, pressão alta, diabetes e depressão, é a Pepsi.



E claro, existiu também o sabor veneno e, provavelmente, o sabor radioativo, pois os espiões russos sempre foram muito criativos e um tanto cruéis quando decidiam matar alguém, como por exemplo uma das muitas tentativas de assassinato do então terceiro presidente do Afeganistão, Hafizullah Amin. Como não se pode culpar o mensageiro por pior que seja a mensagem a Pepsi não teve realmente nada a ver com o assunto e, de acordo com a KGB, a Rússia também não colocou veneno em latinha de nada nenhuma, onde já se viu.


Tudo na história da Pepsi tem sabor insólito e mesmo ainda sendo segundo lugar nos Estados Unidos em número de vendas, a companhia emprega o dobro de pessoas da sua concorrente no país mas sinto dizer, porque o texto é meu, mesmo com tantas histórias legais, divertidas e de sucesso eu ainda prefiro Coca-Cola e se me oferecem Pepsi eu mesmo sinto vontade de bombardear o lugar.


A minha diplomacia vai à zero se me perguntam se pode ser Pepsi e todo restaurante servindo só Pepsi deveria começar o atendimento com o garçom te pedindo desculpas de joelhos.


Não, não pode ser Pepsi.


Nem se tiver sabor Pinhão, eu não gosto de Pepsi.


Não que Donald M. Kendall se importasse comigo ou soubesse da minha existência, morreu em setembro de 2020 poucos meses antes de completar 100 anos de idade, definitivamente um profissional vitorioso com muitas histórias para contar e um diplomata involuntário de sucesso.


Morreu de causas naturais, um termo médico vago o suficiente para você pensar que ele de fato e com toda certeza, morreu arrotando.



E apesar de todas as vitórias pepsinianas (acabei de inventar este termo) a Coca-Cola continua invicta nas alturas e nas profundezas, a Pepsi pode ter tido um Harriet (que nunca ninguém nunca deu nenhuma voltinha) e uma frota de submarinos (que ninguém nunca viu, nem ouviu, nem ao menos afundar) mas a Coca-Cola foi para o espaço em 1985 quando os astronautas a bordo do ônibus espacial Challenger beberam da Coca-Cola Space Can e atualmente a empresa relança de tempos em tempos a Coca-Cola Starlight, a Coca-Cola sabor espaço sideral, sabor intergaláctico de uma galáxia muito distante e com toda certeza o gosto é de outro mundo.


Não contente, embora não há provas de que tenha sido uma campanha da empresa, a Coca-Cola Company também foi para o fundo do mar, no Grande Buraco Azul na costa de Belize no Mar do Caribe. Uma equipe de mergulhadores encontrou uma garrafa de Coca-Cola de dois litros a 130 metros de profundidade, ao lado de uma câmera GoPro perdida cheia de fotos das férias de alguém e ao lado ainda dois corpos humanos, dois dos três mergulhadores que se perderam durante uma expedição anterior.


Já pensou ver a Terra lá de cima e arrotar Coca-Cola na gravidade zero?

Já pensou mergulhar, mergulhar e mergulhar até ficar sem ar e lá no fundo ter uma Coca-Cola te esperando?


Assunto encerrado.



Definitivamente não pode ser Pepsi, mas podem ser apenas dois vagalumes?


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Cápsulas do tempo.


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E na era das (des)inteligências artificiais a Volkswagen lançou um comercial com a presença digitalizada da Elis Regina dirigindo uma Kombi, um comercial tão grotesco e mal feito e não surpreendentemente comemorado por todos, inaugurando com muito (mau) gosto a era da necrofilia tecnológica, daqui em diante é só ladeira abaixo.


De quebra já pegou moda também ressuscitar a voz de cantores famosos falecidos e obrigá-los a cantar músicas de eras posteriores, assim foi por exemplo a voz do Kurt Cobain cantando Everlong da banda do seu ex-baterista Foo Fighters.


E claro, novamente, estão achando tudo maravilhoso, estariam as pessoas mortas por dentro a ponto de celebrar mortos em CGI?


Quem diria que a tecnologia um dia faria um hospício inteiro caber na palma da mão.


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E por falar em hospício, o secretário-geral das Nações Unidas António Guterres declarou:


- The era of global warming has ended, the era of global boiling has arrived.


Isso mesmo, você trabalha o dia todo e quando quer chegar em casa e apenas relaxar lendo notícias da internet e acha que o planeta está aquecendo, se enganou meu bem, pode vir quente que ele está fervendo.


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Mas calma, tem uma notícia boa: Kevin Spacey foi inocentado de absolutamente todas as acusações que fizeram contra ele, no dia do seu aniversário.


Ainda há justiça na era da inveja e do cancelamento.


E tal qual esperado, a mesma mídia tão esforçada em linchar ele por meses está no mais confortável silêncio.


Tal qual eu li por aí, vivemos na era que triunfam o puxador de tapete e assassino de reputação.


Era por era atrás de era, talvez este planeta já era.


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