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ENSAIO 98: 1977

  • Foto do escritor: LFMontag
    LFMontag
  • 10 de mar.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 26 de mar.

Foto: Montag


Se você está aqui pela primeira vez este ensaio faz parte de um livro sendo escrito em tempo real seguindo a narrativa do fluxo de consciência, se te interessar acompanhar o processo comece pelo primeiro.



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26/03/2026


1977


Xillenials.


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I used to go out to parties

And stand around

'Cause I was too nervous

To really get down

But my body yearned to be free

I got up on the floor and thought

Somebody could choose me


- Got To Give It Up - Marvin Gaye


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Of all the things, a parking ticket did Son of Sam in.


On July 31st, 1977, he shot his last two victims. An eyewitness noticed a parking ticket under his windshield as he sped away.


Of the four tickets issued in that area, one bore the name of David Berkowitz, a resident of Yonkers, New York.

At first, Berkowitz claimed insanity, saying a 2,000-year-old dog named Harvey told him to do it.


Eventually, he pled guilty.


That sick fuck is serving a sentence of six consecutive terms of 25 years to life.

Of course, the New York Yankees won the World Series against the L.A. Dodgers, led by Reggie Jackson's dramatic three consecutive home runs in the sixth and deciding game.


Elvis Presley died.


3,700 were arrested during the blackout, with damage going into the hundreds of millions.

To no one's surprise, most of the destruction took place in Brooklyn, Harlem, and the South Bronx.


'77 was also one of the hottest summers in memory in New York City.

New York: the city that I love and hate equally.


There are 8 million stories in the naked city, and this was one of them.


- Jimmy Breslin - Son of Sam opening scene, directed by Spike Lee


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Nós tivemos a Geração Silenciosa, que nasceu numa crise e entrou na vida adulta no pós-guerra; os Baby Boomers, nascidos e crescidos numa era de otimismo e fartura e cujo crime foi encher o mundo de pessoas da Geração X, que nasceram e então cresceram na melhor década de todas na história e ainda reclamam da vida; e aí vieram os Millenials, os antenados mas nem por isso menos chorões, os depressivos de sofá logo substituídos pela Geração Z, que sabe-tudo mas não faz-nada e nos deixaram de presente a Geração Alpha, que é muito nova ainda para a gente culpar de alguma coisa.



E no meio, lá no meio, eles: os Xillenials.


Os Xennials ou Xillenials são uma microgeração nascida aproximadamente entre 1977 e 1985, que teve uma infância analógica mas entrou na vida adulta justamente quando a era digital decolou.


Isso lhes deu uma experiência singular, misturando a vida antes e depois da grande virada tecnológica, fazendo a ponte entre o cinismo da Geração X e o otimismo dos Millennials.


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Roubei de algum lugar na internet:


As almas que escolheram nascer entre o final dos anos 70 e o fim dos 80 carregam uma missão rara: foram semeadas entre dois mundos.


Vieram para fazer a ponte entre o velho e o novo, entre o espiritual e o tecnológico, entre o que se sentia e o que hoje se acelera.


São Espíritos antigos, mas com um coração inquieto e moderno, e é exatamente dessa dualidade que nasce o seu karma, o de equilibrar mundos que ainda não sabem se entender.


Nasceram sob o eco das últimas gerações analógicas e assistiram à chegada silenciosa da era digital.


Aprenderam a amar por cartas e, de repente, tiveram que se adaptar ao amor líquido das telas.

Cresceram ouvindo que tudo era possível, mas foram cobrados a serem tudo ao mesmo tempo.

Carregam o peso de manter valores antigos em uma era que glorifica o efêmero, e por isso, vivem cansados, mesmo quando nada parece faltar.


O karma dos nascidos nos anos 80 é o da transmutação.


Vieram curar o excesso de dureza dos seus pais e o excesso de dispersão dos que vieram depois.


São guardiões da memória e mensageiros do futuro.

Têm o dom de sentir a dor do outro e a dificuldade de sentir a própria.


Trouxeram consigo o compromisso de despertar consciências sem perder a ternura, de reconstruir o sagrado dentro da pressa e da tecnologia.


Por vezes, sentem que não pertencem completamente a lugar algum.

E é verdade: pertencem ao entre.


Ao espaço onde o passado e o amanhã se tocam.


O destino confiou a eles a missão de ensinar que evolução não é descartar o antigo, mas reconciliá-lo com o novo.


Os filhos dos anos 80 são pontes de luz entre eras.

Vieram lembrar ao mundo que o progresso só tem valor se o coração evoluir junto.


E o Universo, em silêncio, sussurra a cada um deles:

Vocês são o elo. A mudança começa onde vocês aprenderem a se curar.


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O direito de mentir não é uma figura retórica, ele é até mesmo garantido na constituição, ao menos em termos de, isso mesmo, não produzir provas contra si mesmo.


Nemo tenetur se detegere, ou ninguém é obrigado a se incriminar.


No Brasil este princípio é fundamentado constitucionalmente, com base no direito ao silêncio e no tratamento digno do acusado e daí decorre que o investigado ou réu pode calar-se e na prática até apresentar versão inverídica para se defender sem incorrer em crime específico por isso; o limite está em não poder praticar outros delitos para sustentar a mentira como por exemplo falsificar documento, coagir testemunhas ou fraudar provas.


Pois eu não menti de cabeça pensada como se diz, eu nem mesmo pensei, apenas respondi: 1977.


O ano em que nasceram a Shakira e a Pitty e morreram Elvis Presley, Clarice Lispector e Charlie Chaplin, mas também traz uma curiosidade inacreditável.



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Se você não gosta nem mesmo do ano em que nasceu, você vive em um limbo.

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Cápsulas divorciadas fresquinhas mas não quentinhas orbitais do tempo.


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Após casar consigo mesma, brasileira anuncia divórcio por motivos de autocobrança.


A criadora de conteúdo brasileira Surellen Carey, conhecida pelo casamento simbólico consigo mesma em Londres, decidiu encerrar sua união sologâmica após um ano.

Embora diga que a experiência tenha reforçado o seu autoconhecimento, ela também revelou uma pressão emocional crescente que a deixou exausta.


Suellen explica que o período de introspecção transformou sua rotina de forma intensa e a vivência a fez perceber que alguns ciclos precisam terminar para que novos caminhos se abram; nesse sentido ela acredita que o “divórcio de si mesma” criou espaço para novas experiências, inclusive para um relacionamento futuro conduzido com mais leveza.


Antes de oficializar o fim da união, Suellen iniciou uma espécie de “terapia de casal interna”.


Por isso ela revisitou expectativas, limites e vulnerabilidades que acumulou ao longo do processo e afirma que essa fase foi essencial para fortalecer sua autoestima.


Mesmo com o encerramento simbólico do casamento, Suellen considera que a jornada ampliou sua compreensão sobre suas necessidades emocionais e encara essa nova etapa como um momento de renovação e abertura para vínculos mais maduros.


Não se tem informações se ela tocou ela mesma para fora de casa e nem mesmo se durante o divórcio ela dormiu no sofá e se sua ex, ela mesma, era abusiva.


Mas ao que consta, ela ficou com cem por cento dos bens.


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Uma mulher agrediu funcionárias de uma padaria em Guarulhos, na Grande São Paulo, após ser informada de que não havia pão quente naquele momento.


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Plutão pode voltar a ser chamado de planeta mas assim como os Xillenials, continuará orbitando em torno das suas próprias dúvidas e vivendo em função da aprovação dos outros.


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