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ENSAIO 45: NIRVANA

Atualizado: 2 de mar.



Se você está aqui pela primeira vez este ensaio faz parte de um livro sendo escrito em tempo real seguindo a narrativa do fluxo de consciência, se te interessar acompanhar o processo comece pelo primeiro.



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07/12/2023


NIRVANA


Napoleão, Rasputin, Kurt Cobain, a vida imita o algoritmo.


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I'll start this off

Without any words

I got so high that

I scratched 'til I bled

Love myself

Better than you

I know it's wrong

So what should I do?


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Três fatos e três histórias sobre pinto.


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Já falamos sobre cu, precisamos falar um pouco sobre pinto.


Pinto, pênis, pau, pica, piroca.


- A primeira coisa a se saber sobre pinto é que não se nasce pinto, torna-se pinto. Todo pinto antes de ser um pinto foi uma vagina, ou mais precisamente um tubérculo genital, massa de tecido presente durante o desenvolvimento do sistema reprodutor, formado na região ventral caudal do embrião dos mamíferos em ambos os sexos e posteriormente dá origem ao falo primordial, e no feto humano se desenvole a partir da quarta semana de gestação e na nona semana já é possível reconhecer se é o clitóris feminino ou o pênis masculino.


- A média mundial do pênis humano tem 8,7 centímetros flácido, 12,93 centímetros esticado e 13,93 centímetros ereto. Não precisa procurar, eu te conto: o tamanho médio do pênis brasileiro é de 15 centímetros e ocupamos a vigésima-terceira posição dentre 90 nações, um ranking disputado milímetro por milímetro até chegar no pinto do Equador, o primeiro lugar, com média de 17 centímetros.


- Como todos sabem, homem tem obsessão por pinto, não só o próprio mas também o alheio. Qualquer parede de banheiro público é prova, de todos os tamanhos, legendas e contextos, e também nos livros de história.


Alguns personagens históricos são tão marcantes e polêmicos que continuam a gerar mais polêmicas, discussões e debates mesmo após mortos.


Napoleão é um ótimo exemplo, líder ou tirano, conquistador ou genocida, gordo ou magro, alto ou baixo, bom de cama ou ruim de cama e este pinto é dele ou não é dele?


Após perder a Batalha de Waterloo, Napoleão foi exilado na Ilha de Santa Helena no Oceano Atlântico, onde morreu em 05 de maio de 1821.


Logo após sua morte foi realizada uma autópsia onde supostamente Francesco Antommarchi, o médico responsável, cortou seu pênis junto com várias outras partes do corpo. Alguns afirmam que Antommarchi teria sido subornado pelo capelão como vingança por ter sido chamado de "impotente" mas o biógrafo de Napoleão, Philip Dwyer, chama este episódio de fantasioso.


Mas é aquela coisa, se um pinto foi cortado ele vai aparecer em algum lugar, por mais pequeno e flácido que seja. O capelão ficou com um pênis e o contrabandeou de Santa Helena para sua casa na Córsega e permaneceu na família do padre até 1916, quando foi comprado por uma livraria de Londres, e revendido em 1924 para um livreiro do Estado da Filadélfia nos Estados Unidos, chegando a ser exibido em 1927 no Museu de Arte Francesa de Nova York.


Décadas depois, em 1977, um urologista e colecionador de artefatos chamado John K. Lattimer comprou o pitico por três mil dólares e até a sua morte em 2007 não deixou ninguém ver o suposto pênis de Napoleão, guardando debaixo de sua cama, e atualmente é propriedade de sua filha.


Um documentário da BBC descreveu como muito pequeno, cerca de uma polegada, ou dois centímetros e meio.



Sobre Grigori Rasputin por sua vez não existem muitas dúvidas ou discussões, charlatão considerado místico e muitas vezes santo e amigo do rei, no caso o Czar Nicolau II, após supostamente e milagrosamente ter curado as crises causadas pela hemofilia de Alexei, único filho homem do último imperador russo.


Rasputin também ficou famoso, falado e propagado pelo tamanho da sua pirovski, por propagar uma seita chamada Khlysts (a qual pregava a aproximação de Deus através de um estado de exaustão sexual) e por ser suposto amante da Czarina Alexandra, esposa de Nicolau.


Por estes e outros motivos revolucionários arquitetaram a sua morte e por conta dos rumores de toda a devassidão do monge resolveram remover o órgão sexual do bruxo antes de jogar o cadáver num rio.


Tão trabalhoso quanto matar Rasputin foi cortar alegados 28 centímetros de talento, descrição dada por Igor Knyazkin, que teria guardado o pênis no Museu de Sexo e Erotismo em São Petersburgo onde se encontra até hoje, embora ainda em 1917 um legista chamado Dmitry Kosorotov realizou uma autópsia completa no corpo do místico e afirmou que seu pênis estava intacto, e alguns estudiosos (não sei se de pênis ou história) alegam que o talalau nem é humano.


Mas atrai curiosos do mundo inteiro e isto é o que importa.


Os rumores sobre a vida de Rasputin foram causaram até mesmo aquela que é provavelmente a primeira ação judicial de danos morais internacional envolvendo a memória de pessoas públicas retratadas no cinema.


No fime "Rasputin e a Imperatriz" de 1932 a personagem princesa Natasha teria sido inspirada diretamente na princesa Irina Yusupov, esposa de Felix Yusupov, um dos assassinos de Grigori Rasputin.


A advogada Fanny Holtzmann abriu uma ação judicial contra a MGM em 1933, alegando invasão de privacidade e difamação pois o filme a retrata como vítima implícita de um estupro de Rasputin, algo que nunca aconteceu. Irina ganhou uma indenização de quase 130 mil dólares em um tribunal inglês e um acordo extrajudicial no provável valor de 250 mil dólares com a MGM em Nova York.


Esta ação originou o hoje famoso e onipresente aviso usado pelos estúdios no final dos créditos de obras audio-visuais: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


Ou nem sempre mera, Rasputin foi de fato uma criatura assustadora cuja história é rodeada de mitos, coincidências e, porque não, bruxaria. Até mesmo depois de morto.


Por exemplo, em 1978 o grupo Disco/Funk alemão Boney M. lançou a música Rasputin, single que na época vendeu quase um milhão de cópias e o refrão era:


Ra-ra-Rasputin

Lover of the Russian queen

There was a cat that really was gone

Ra-ra-Rasputin

Russia's greatest love machine

It was a shame how he carried on


O vocalista do grupo Bobby Farrell morreu de insuficiência cardíaca em 30 de dezembro de 2010 em São Petersburgo, coincidentemente na mesma data e cidade da morte de Grigori Rasputin.


Eita bruxóvski, sai pra lá.



E aí, 75 anos depois da morte de Rasputin, um pinto pequeno, pequeno mesmo, um pitico de pinto, entrou alegre e enrugado para a história da música e outros 30 anos depois, garantiu um lugar cativo nas páginas da infâmia.


E no meio dessa eu sofri bullying.


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Quando eu era moleque eu descobri o Nirvana antes de todo mundo e ninguém se importava, levava o disco Bleach na casa de todos os meus amigos e quem não ignorava, xingava.


Todo mundo só queria saber de Heavy Metal (aqueles com calças de lycra e monstros e múmias na capa) e eu já estava no Grunge, Heavy Metal para mim já era coisa de criança e eu estava entrando na adolescência com toda a raiva que a adolescência pede.


Hip Hop, Hardcore, Death Metal, e Nirvana.


Quando o álbum Nevermind saiu, no dia 27 de setembro de 1991, tudo piorou, agora eu era o cara que tinha em casa e mostrava nas ruas um disco com um bebê pelado na capa.


Numa piscina.

Sorridente.

Mostrando o passarinho.

Nadando atrás de uma nota de um dólar.


O interior do Paraná não estava preparado para tanta romerobrittisse, era arte avant-garde demais em uma cidade que ainda nem havia digerido a primeira edição do Rock in Rio pela TV.


Um ano depois tudo mudou, mas para pior de novo, a MTV começou a sintonizar nas casas com antena parabólica e de repente todo mundo começou a falar, e gostar, de Nirvana.


Eu já estava acostumado ao Nirvana ser só meu, e além do rancor de ninguém me agradecer por ter mostrado antes, eu sentia ciúmes por todo mundo enfim gostar deles. E agora todo mundo gostava de bebê pelado, todo mundo andava com o CD de bebê pelado em todos os lugares.


E de repente a capa virou arte e eu era obrigado a ouvir:


- É crítica social, eu vi no Fantástico.


Eu botaria muita fé no Kurt Cobain se conhecesse ele no início da carreira, eu falaria "grava isso e lança pelamordedeus, põe um bebê peladão na capa e vai ser histórico, chama o disco de Whatever cara, Whatever é um nome legal!!".


Kurt Cobain também foi o meu primeiro ídolo a morrer e obviamente fui na pracinha da cidade encher a cara e afogar as mágoas e cantar as músicas fingindo que entendia as letras, como era e ainda é padrão no interior do Paraná.


Mas aí todos nós crescemos e envelhecemos, incluindo o bebê pelado, e aqui a coisa complica.


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Todo mundo sabe o quão angustiado o Kurt Cobain era a respeito da apatia e inércia da sua própria geração e muito provavelmente com as gerações que viriam pela frente.


Ele estava certo pois o agora famoso Spencer Elden, o bebê pelado da capa, cresceu e resolveu processar o Nirvana, a gravadora e até o baterista que nem estava mais na banda na época quando o álbum foi lançado por suposta exploração de pornografia infantil e exploração sexual de menor por causa do seu pingolin e um anzol com uma nota de dólar.


Nada mais surreal pois como disse um amigo meu, bebê pelado tem até em presépio.


Quando o trio escolheu a foto da capa a gravadora sugeriu uma sem o bigolim do bebê ou uma forma de censurar mas a resposta foi:


- Queremos o pinto!


Pela natureza, intenção e valor do processo (apenas 150 mil dólares de um disco que vendeu mais de 30 milhões de cópias) está claro a tentativa de extorquir um troco às custas do sucesso provavelmente para pagar aluguel atrasado, ou talvez comprar uma lancha de quatro pessoas com churrasqueira na popa e linguicinha assando e ostentar em Balneário Camboriú no verão.


E assim como profetizado pela capa em boa parte idealizada por Kurt Cobain, Spencer Elden cresceu e pelo jeito agora topa tudo por dinheiro.


Os advogados do Nirvana e outros réus argumentaram que Elden “passou três décadas lucrando com sua celebridade de autointitulado "bebê do Nirvana", chegando até mesmo a recriar a foto por dinheiro depois de adulto (sem o Eldenzinho aparecendo), tatuou em seu peito o nome Nevermind, além de vender cópias autografadas do disco no eBay e usar a fama para paquerar mulheres.


Um juiz federal rejeitou a ação movida pelo rapaz apontando a demora em alegar a suposta exploração sexual e Spencer entrou com recurso no final de 2022, também arquivado pela justiça.


Se tivesse um pouco de espírito poderia ter ficado rico vendendo camiseta com o próprio rosto escrito "I'm not a baby anymore" embaixo, poderia vender o poster pelado adulto em uma psicina com a frase "Oops I did it again" e vender mais cópias autografadas pela internet, poderia até se enturmar com o Krist e o Dave e dar um jeito de cantar no lugar do Kurt no show dos 30 anos, poderia aprender a tocar bateria e virar baterista do Foo Fighters, poderia fazer filme pornô (adulto) usando o nome Kid Bengalinha, poderia vender talco para assadura com o nome de Smells Like Talco Spirit, poderia lançar uma biografia não-autorizada/autorizada e ficar mais famoso ainda, poderia vender cerveja na praia, ser cambista em estádios, vender bolo de aveia na universidade, lamber selo, enxugar gelo, apertar apoio de geladeira, grampear saco de bolacha, provar azeite de soja, raspar vela de cemitério mas não, preferiu entrar para a história como um chantagista de esquina usando como prova a foto de si mesmo pelado quando criança.


Como disse Thomas Hobbes, o homem é o lobo de si mesmo, Kurt Cobain mostrou o presente quando ninguém quis enxergar e Spencer Elden escancarou o presente atual com sua falta de caráter e moral, tentando fazer o seu pinto entrar para a história (perdoe a liberdade) pela porta dos fundos.


Mas tudo bem, este disco é incancelável, e a competição foi forte pois entre agosto e setembro de 1991 foram lançados o Black Album do Metallica, Use Your Illusion I e II do Guns'n'Roses, Ten do Pearl Jam e, no mesmo dia do lançamento do Nevermind saiu o incrível Blood Sugar Sex Magik dos Red Hot Chili Peppers.


Eu não acho que Kurt Cobain tinha depressão, ele era apenas dotado de uma soma de inteligência e senso de humor capaz de tornar intolerável conviver em sociedade, e o sucesso potencializa ambos, a intolerância e a motivação.


E como a vida imita a arte e esta não é uma obra de ficção, o bebê pelado da capa de um dos discos mais clássicos da história do Rock, provou que Kurt estava certo.


And I forget just why I taste

Oh yeah, I guess it makes me smile

I found it hard, it's hard to find

Oh well, whatever, never mind


E na boa, entre dormir com um pinto de imperador embaixo da cama, visitar museu para ver pinto, prefiro andar pela cidade com o disco ou usar uma camiseta com o pitico do Spencer.


Eu sempre achei Grunge um estilo desvalorizado por causa do termo, parece nome de doença congênita. Por mim o estilo deveria se chamar Desbunde, se fosse chamado Desbunde faria sucesso até hoje pois quem não gosta de Desbunde bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou não fez o teste do pé.


Nevermind não é nada mais nada menos que um DESBUNDE e eles poderiam muito bem se chamar "Os Nirvanas" e o disco "Não se Importe", os reis do Desbunde dos anos 90. O disco mais Pop do Punk e o disco mais Punk do Pop, mérito inegável e indiscutível no mesmo universo dos pioneiros The Clash, Ramones e Buzzcocks.



Tudo neste disco é perfeito, das letras às melodias, dos timbres à produção, e claro, a capa, um desbunde e um legado tão grandioso que nem o Spencer Elden, o tal bebê pelado, consegue estragar.


Nevermind, desbunde do caralho, mais clássico só se eu mesmo fosse o pelado da capa do disco e meu pintinho entrasse para a história.


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Em 2016 eu postei esta capa no Facebook comemorando os 25 anos do lançamento do disco e cinco anos depois a postagem foi removida pela plataforma por violar as tais regras da comunidade do Facebook.


Motivo: nudez infantil e exposição sexual.


Não sei se o Spencer é estagiário na empresa do Zuckerberg mas vai entender os olhos maldosos de quem vê maldade nos olhos dos outros.


Também removeram a capa do disco do Rage Against the Machine por "violência e incitação ao ódio e indução ao suicídio" e uma foto do Lula de calça branca coçando o saco por categorizar "notícia falsa" e mais uma penca de postagens e comentários pelas justificativas mais espúrias possíveis.


De acordo com o algoritmo da Zuckerberg Super Company Enterprises eu sou provavelmente um red neck racista e banguela do interior dos EUA com tendências pedófilas, auto-imolação, suicídio e propagador de fake news.


Quem não deve não teme é o novo lema e é este o mundo que estamos afundando, das tags, flags, algoritmos e censura disfarçados de ética na rede mundial da inquisição digital, os novos defensores da nova moral e bons costumes, e o novo conformismo é vendido como se fosse rebeldia, na era da praticidade: uma senha é algo que você conhece, um dispositivo é algo que você tem, a biometria é algo que você é.


Em outras palavras, aquilo que você é não pertence mais a você, e assim os poderosos que antes reescreviam o passado irão agora anular o futuro reescrevendo o presente em tempo real.


Quem diria, a vida imita o algoritmo, it's fun to lose and to pretend, smells like technocracy spirit.


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Talvez seja a velha obsessão masculina com o próprio pênis, homens possuem solução para tudo, menos para o bigolim. Se você perguntar para um homem se ele prefere a paz mundial ou ter mais dois centímetros de pau, ele vai responder: dois centímetros de pau.


Se você perguntar se ele prefere a cura do câncer ou mais dois centímetros de pau, ele vai dizer: com mais dois centímetros de pau meus últimos seis meses de vida serão os mais felizes.


A vida é assim, as mulheres têm um problema para cada solução, e os homens têm solução para tudo, menos para si mesmos, e só nos resta uma certeza, tão certa como a morte: Quase toda mão que você apertou na vida já segurou um pau em algum momento então, nevermind.


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Quando cansei de ser esculachado por causa da capa de um disco arrumei uma capa pior, um medalhão com olhos demoníacos. E não tinha mais bebê pelado numa piscina, as fotos de divulgação da banda eram todos eles pelados em uma banheira cheia... de sangue de porco.


Agora eu gostava de Deicide, Iron maiden é coisa de criança, nirvana é coisa de adolescente, mas o demônio é coisa de gente grande. Todo mundo se achando o teen spirit e eu já estava pensando em sacrificar bodes, gatos e cabras em nome do demônio.


Segundo consta a capa do Nevermind era uma crítica ao capitalismo selvagem que nos fisga desde crianças mas Deicide é muito mais profundo, foi reclamar direto do criador de tudo, sai capitalismo, entra capetalismo.


Glen Benton, o vocalista, prometeu se matar aos 33 anos de idade e provocar intencionalmente o pai de Jesus Cristo, não cumpriu e continua acreditando no demônio, talvez pra justifcar a irreparável cruz de ponta-cabeça queimada na testa, tão injustificável quanto a tatuagem de apanhador de sonhos daquela mulher que você é afim.


Envelheci e ouço Nirvana uma ou duas vezes por ano, e Deicide somente em anos bissextos, o que não parei de ouvir foi o Pantera mas por motivos, digamos, estéticos.


Ter 40 anos é estar exatamente entre há 20 anos ter sido oficialmente jovem e a 20 anos de ser oficialmente velho, ter 20 anos é ter todas as opções de corte de cabelo e mesmo assim optar pelo corte moicano, ter 40 anos é sonhar com todas as opções de corte de cabelo e só poder usar o corte franciscano.


Ser careca e comprar shampoo é se sentir mais culpado que ser casado e assistir pornografia escondido, e achar dois fios de cabelo branco é não saber se reclama por estar velho ou se agradece por ainda ter cabelo, e quase pelos mesmos motivos você é jovem quando ainda ouve Heavy Metal depois dos 40, mas você é automaticamente velho quando ouve Heavy Metal depois dos 40 e se sente jovem.


E ainda por cima fazendo faxina.


E o melhor disco para fazer faxina é o "Cowboys From Hell" do Pantera, uma horinha de puro ódio, peso, moicano e água sanitária. Tão divertido que até hoje não me sinto culpado por ainda ouvir, mesmo quando me perguntam se eu continuo ouvindo depois de saber que o vocalista bebe vinho ruim e sai fazendo sinais neonazistas por aí.


Eu respondo que Pantera é igual Olodum, se você ignora as letras, sobra só o suingue.


Olodum também ajuda horrores na faxina, ou um pagodinho também.

Ou quem sabe um Pagode antes e um Heavy Metal depois, ou uma mistura dos dois.


Vamos criar o ExaltaMetal, Heavy Metal que mistura Pantera com o Péricles no vocal, nome: Pantéricles.


Se você acha errado da minha parte me explica por quê o Iron Maiden por exemplo sempre fica melhor quando você canta mentalmente em ritmo de Pagode ou Axé, pega o pandeiro ou atabaque mental e canta Fear of the Dark e volta aqui e me dê razão, pode ser papo de velho, mas você deve estar tentando fazer isto agora mesmo.


Deus é legal mas o diabo é mais astral, e o Axé ninguém resiste.



E apesar de ser histórico, divertido e de certa forma atemporal, Nevermind não é o meu disco favorito da vida, o meu melhor disco do universo também é da melhor banda do universo, e ensina muito sobre vírgulas, amizades e a Guerra do Vietnã.


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Cápsulas do tempo.


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No dia 01 de Dezembro de 1948, às seis e meia da manhã, um homem foi encontrado morto em uma praia na cidade de Somerton na Austrália, bem vestido e sem nenhuma identificação nem sinal de agressão ou ferimento.


Talvez morto por envenenamento, mas nada provado desde então.


Durante as investigações foi encontrado dentro de um bolso secreto do seu terno um pedaço de papel rasgado escrito “Tamam Shud” ("Acabou" ou "Finalizado", em persa), arrancado da página final de um livro de poemas de Omar Khayyam chamado The Rubaiyat.


O livro ao qual pertencia este pedaço arrancado havia sido deixado em um carro destrancado próximo à praia na noite de sua morte, cujo dono era um poeta local sem nenhuma relação com o morto e que não sabia dizer como o livro foi parar em seu carro.


Nas páginas estavam anotadas um código indecifrável e o telefone de uma enfermeira que foi encontrada e então disse ter dado o livro de presente para um tenente do exército, anos antes.

Mas ao localizar o tenente com ele estava com a cópia dada pela enfermeira, intacto, sem nenhuma página rasurada ou arrancada.


Ambos, enfermeira e tenente, nunca viram ou ouviram falar no morto até hoje não identificado.

Um morto, dois livros iguais e três pessoas sem aparentemente relação nenhuma com o homem e sua morte, e isto é só o começo.


Até hoje nada conclusivo sobre quem foi ou como morreu este homem, provavelmente um espião do início da era da guerra fria, morto em uma queima de arquivo ou um suicida com sua missão (em todos os sentidos) na terra cumprida.


75 anos do caso Tamam Shud ou a morte do Somerton Man, o mistério mais legal de todos os tempos e que ainda tem um blog atualizado quase todas as semanas sobre o assunto. Quase todas as semanas.


Caso você queira ajudar o código é este:


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ITTMTSAMSTGAB


Vale por uma leitura de mistério das mais clássicas com um extra: é uma história real.


Netflix, nunca te pedi nada.


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E a Xuxa que aos 60 anos de idade chorou em um evento e pediu desculpas para os seus fãs que ficaram traumatizados por seu comportamento e atitudes durante os seus programas nas décadas de 1980 e 1990 na televisão.


Segundo suas palavras:


- Desculpas às crianças que estão traumatizadas pelas coisas que eu fazia. Eu era louca, não era por mal, eu era despreparada, ninguém me disse o que eu poderia fazer ou não.


A mulher que mais vendeu discos e mais fez sucesso no cinema no Brasil não cantava e nem atuava.


A mesma Xuxa que aos 19 anos contracenou muito bem contracenado com o ator Marcelo Ribeiro (então um menino de 12 anos) no filme Amor Estranho Amor, filme que ela conseguiu recolher na justiça mas as locadoras nas décadas de 80 e 90 alugavam de forma clandestina com a frase: Venha ver o que a Xuxa faz com seus baixinhos.


Tanto fez que a apresentadora também diz querer ser lembrada como rainha dos mesmos:


- Não quero abrir mão desse título. São quatro décadas, quero ser lembrada como vencedora. Gostaria de sempre ser vista como rainha dos baixinhos, porque foi quem me colocou onde eu estou, é muito forte para mim.


Após pedir desculpas cantou Ilariê com aquela (des)graça de sempre.


Depois de adulto Marcelo Ribeiro chegou a fazer um filme pornográfico em 2007 (tentando aproveitar a polêmica em cima do filme de 1982 relembrado de tempos em tempos), e este ano ambos se reencontraram durante as gravações da série documental sobre a carreira dela, mas aí vem a pergunta: E se a Xuxa fizesse um filme pornô com o Marcelo Ribeiro e o Spencer Helden?


Nome: Smells Like Pitico Spirit.

Frase de efeito na capa: A ex do Pelé ainda bate um bolão!

Sinopse: Aos 60 anos a rainha dos piticos reencontra seu primeiro baixinho e o pitico do Nirvana, que agora é um homem feito, na piscina da sua casa!


Talvez eu nem esteja senso original, a própria Xuxa já transou com um fá que, segundo ela, na hora do orgasmo puxou o cabelo e pediu:


- Xuxa, canta Quem Quer Pão.


Melhor que isso só se a Sandy fizesse boquete cantando de boca cheia:


- Issoturuturuturu aquidentruuu.


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Acabei de me tocar que é possível fazer um mash up de Smells Like Teen Spirit e Ilariê.

Agora sim estou traumatizado.


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